Na última quarta-feira (25/08), o Ministério da Saúde anunciou que será oferecida no Brasil a terceira dose – ou a chamada dose de reforço (no caso de quem tomou a dose única) – da vacina contra a Covid-19. De acordo com a pasta, a aplicação será feita em todos os idosos acima de 70 anos (que completaram o esquema vacinal há mais de seis meses) e imunossuprimidos (pessoas com câncer, pessoas vivendo com HIV, transplantados e outros com o sistema imune fragilizado, o que deixa o paciente mais suscetíveis a infecções).

 No caso dos imunossuprimidos, receberão a dose de reforço os que tomaram a segunda dose há menos de 28 dias. Ainda segundo o Ministério da Saúde, para a vacinação de reforço serão utilizadas preferencialmente a da Pfizer, mas poderão ser utilizadas também a da AstraZeneca e da Janssen.

 De acordo com estudo no Reino Unido, após seis meses da imunização houve registro de uma leve queda na proteção contra a Covid-19. Mesmo assim, a dose única ou as vacinas em que são necessárias as duas doses, embora tenham uma queda após seis meses, seguem eficazes e são de fundamental importância para a contenção da pandemia.

 Médica infectologista da Unimed Salto/Itu, Dra. Luciana Gomes Corrêa comentou a respeito. “Atualmente seguem-se os estudos sobre as vacinas aplicadas, principalmente para entender o tempo de proteção que cada uma garante. Resultados de pesquisas recentes demonstram que pessoas com a imunização completa tendem a apresentar um declínio na quantidade de anticorpos neutralizantes após aproximadamente seis meses da aplicação da segunda dose (ou da dose única naquela que há apenas uma dose no esquema completo)”, diz.

 “Os pacientes idosos, pelo motivo da imunossenescência (envelhecimento do sistema de defesa do organismo), e pacientes imunossuprimidos tendem a produzir uma proteção menos efetiva e os estudos atuais sugerem que uma dose de reforço, a terceira dose, poderia auxiliar numa melhor defesa do organismo”, acrescenta a médica.

 Dra. Luciana reforça. “É importante ressaltar que, tão importante quanto a terceira dose (em população específica atualmente: pessoas acima de 70 anos que receberam a segunda dose há pelo menos seis meses e indivíduos imunossuprimidos), é que toda a população receba a vacinação completa contra a Covid, pois sabe-se que um esquema incompleto não garante proteção. Somente dessa forma teremos uma diminuição importante na circulação do vírus, redução de internações e óbitos”, finaliza.

 Segunda dose

 Enquanto fala-se na aplicação da terceira dose, muitas pessoas ainda não chegaram a tomar nem a segunda dose da vacina contra a Covid-19. Somente no Estado de São Paulo, 1,2 milhão de pessoas não retornaram para tomar a segunda dose da vacina. O balanço contabiliza 715 mil pessoas que precisam completar o esquema vacinal com a CoronaVac, 511 mil com a vacina da AstraZeneca, e 47,7 mil com o imunizante da Pfizer. Metade deste quantitativo está concentrado na Grande São Paulo.

 Também médica infectologista da Unimed Salto/itu, Dra. Marina Jabur reforçou a importância de se imunizar. “A eficácia de todas as vacinas está baseada no esquema orientado em bula, que é baseado em estudos e ensaios clínicos antes da liberação dessa vacina. É alcançada a eficácia publicada nas bulas e nos estudos ao máximo quando se respeita tanto o intervalo entre as doses quanto o número de doses”, informa.

 “Tomar a segunda dose é um benefício ao paciente, para ele evitar ao máximo a probabilidade de desenvolver a forma mais grave da doença. Ainda não há vacina que impeça que o paciente seja um portador do vírus, porém quando toda a população é educada a ponto de tomar todas as doses, é possível diminuir a lotação de leitos e propiciar melhores condições para que as pessoas que realmente necessitem sejam melhor atendidas. E isso só ocorre com o uso da vacina”, acrescenta.

 “Fora o beneficio secundário, pois temos as sequelas da Covid, então quando se impacta no número de casos graves se impacta no número de leitos, e em muitas sequelas. Isso, de certa forma, também é um benefício para a economia.Não podemos esquecer também que o Brasil tem um Programa Nacional de Imunizações que é modelo para o mundo todo, e por isso precisamos manter esse exemplo que nós somos”, conclui.


Fonte: 
http://jornalperiscopio.com.br/

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